quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

RELACIONAMENTO ENTRE IRMÃOS

TEXTO BASE: Salmo 133.1

RELACIONAMENTO ENTRE IRMÃOS
Quão bom e suave é que os irmãos vivam em união! – Salmo 133.1
Frequentemente, constatamos que Satanás procura minar a vida de crentes e da própria igreja, afetando a área dos relacionamentos pessoais entre irmãos. Isso tem causado muitos males no meio do povo de Deus e ao seu progresso, uma vez que tais problemas prejudicam o nosso crescimento espiritual e serviço a Deus. O que torna ainda mais grave a questão é que muitos males acabam por vir sobre toda a igreja. Crentes que, com suas vidas espirituais enfraquecidas, carregando mágoas, rancores, pecados não confessados e, muitas vezes, nem mesmo reconhecidos, acabam por prejudicar todo o trabalho de suas igrejas. Nem percebem, talvez, que em razão dessas coisas, eles mesmos não crescem e não glorificam a Deus no trabalho que fazem.
Por sua vez, suas igrejas, como um corpo em Cristo que são (ou deveriam ser), sofrem, ao ver quebrada e abandonada sua unidade interna, como se isso não fosse coisa importante e necessária aos olhos de Deus (Salmo 133.1). Por vezes, a maior parte da igreja nem se dá conta do problema até que ele cresça e, por alguma razão, venha à tona.
Sentimentos motivados por problemas não resolvidos de relacionamento entre irmãos, invariavelmente, geram atitudes carnais. Assim, passam a gerar facções, boicotes, disputas e coisas semelhantes, na igreja, ou mesmo entre igrejas. Deixam de fazer certos trabalhos ou de participar deles, em função de sentimentos negativos por algum irmão. Deixam de participar de certas áreas, na vida da igreja, onde aquela pessoa, com quem se tem problemas, está envolvida e, principalmente, quando esta lidera aquela atividade. Surge um espírito crítico e negativista, o que acaba, muitas vezes, contagiando a outros. Outras vezes, ainda, o trabalho acaba sendo feito de forma carnal e motivada por disputa, tentando superar o seu “irmão inimigo”.
Dessa forma, deparamo-nos com as mais diferentes situações: membros de uma mesma igreja que não gostam de outros e, às vezes, nem falam com eles; outros, carregando mágoas de tempos antigos e nunca tratados, agindo falsamente como se nada houvesse, revelando, porém, seus sentimentos negativos em alguma ocasião “oportuna”; lares, que supostamente servem a Deus, onde não existe harmonia ou comunhão, etc. Fato curioso é que, apesar disso tudo, é comum a atitude de alegar que “não se tem raiva” daquela pessoa, procurando justificar-se apenas com uma desculpa de que prefere manter alguma distância ou que não é obrigado a “andar grudado na outra pessoa”.
Observando o quanto isso nos é prejudicial, somos levados a crer que é necessário termos firme em nossos corações, o propósito de buscar e observar o cuidado de Deus a esse respeito. Esperamos que esse estudo seja útil a muitos, não só com a finalidade de chamar a atenção para o problema, mas principalmente para nos ajudar a encontrar direção na solução de problemas a esse respeito e forças para agirmos contra esse mal.
1- ALGUNS CUIDADOS PRELIMINARES.
Antes de estudarmos sobre como resolver biblicamente problemas de relacionamento, precisamos ver alguns cuidados a se tomar, em nossa vida espiritual, a fim de evitar tais situações.
- Evite ofender - Em primeiro lugar, devemos evitar, com todas as nossas forças, ofender ao nosso irmão. Nem sempre é fácil fazer isso, mas devemos nos esforçar e dedicar por ser mansos em palavras e atitudes a fim de evitar contendas. Romanos 12.18 ensina-nos que devemos nos esforçar para ter paz com todos os homens. Certamente, isso deve aplicar-se também a nossos irmãos. Esse esforço nos mostra que devemos ter atitudes que levem a isso. Se, deliberadamente, formos agressivos, ofensivos ou provocativos com um irmão, não estaremos cumprindo o ensino da Palavra de Deus e, portanto, estaremos em pecado.
- Evite ofender-se - Da mesma maneira, devemos evitar o “dar-se por ofendido”. Especialmente por motivos banais. Conheço o caso de duas senhoras que faziam parte da mesma igreja, há muitos anos. Um dia, descobriu-se que havia uma mágoa entre elas que remontava a tempos em que tinham seus filhos pequenos, ainda. A causa dessa antiga mágoa: as filhas de uma delas, brincando, pisaram o jardim da outra e estragaram algumas plantas que havia lá. A dona do jardim se indignou e se ofendeu por isso, julgando talvez algum descaso da outra, e acabaram tendo certa discussão a respeito. Elas nunca conversaram de modo a esclarecer o assunto, e também não houve uma reconciliação. Como é de costume entre as pessoas, elas “deixaram para lá” e não tocaram mais no assunto. Os filhos cresceram e, possivelmente, as plantas pisadas também, mas o lado ruim foi que essa mágoa ficou e também cresceu com o tempo, de modo que sempre foi um impedimento à comunhão entre elas. É claro que isso tudo poderia ter sido evitado ou consertado rapidamente. Nós bem sabemos que é quase inevitável que venhamos a nos ofender vez ou outra por alguma bobagem. Porém, quando isso ocorre, devemos tratar a questão correta e urgentemente.
Um cuidado adicional a se tomar é observar que, quando situações como estas, onde nos ofendemos ou ofendemos a outros, começam a ocorrer com certa frequência, isso pode estar denunciando que algo em nossa vida espiritual não vai bem. Satanás está encontrando espaços para trabalhar em nós e por nós no meio da igreja. Esse deve ser um sinal de alerta assustador para todo verdadeiro Cristão. Sabemos que o que estamos dizendo parece pesado, mas se formos sinceros, vamos considerar que, de fato, isso é tão real e assustador à nossa alma, que talvez seja justamente esse o motivo que nos leva a querer negar que isso possa estar acontecendo conosco.
Em Levítico 19.16-18, a Lei ordenava que o povo de Deus não deveria carregar, em seu coração, algum ódio contra seu irmão, mas também não deveria deixar de repreendê-lo quando fosse ofendido por ele. É exatamente sobre esse ponto da Lei que Jesus discorreu, ao ensinar seus discípulos sobre como tratar questões de ofensas pessoais em Sua igreja. Isto será nosso assunto adiante, mas o que é importante ressaltar aqui é que existe uma ORDEM de Deus para não negarmos, de modo algum, o fato de uma ofensa, carregando sentimento negativo contra nosso irmão, seja ele quem for, guardado em nosso íntimo.
Visando esses cuidados, vejamos algumas exortações a respeito:
- Efésios 4.1-3 – Aqui, Paulo nos exorta a andar conforme nossa chamada, com frutos espirituais como humildade, mansidão e longanimidade, a fim de guardar uma unidade espiritual, através do Amor, e preservar a paz, no meio do povo de Deus. Nós devemos saber qual é a chamada do nosso Deus. Ele não nos chamou em intrigas e para a intriga e o conflito, mas em Amor e para o exercício do amor verdadeiro e sacrificial. Chamou-nos para a paz. Os frutos do Espírito não concordam com um coração carregado de ódios, rancores e mágoas.
- Colossenses 3.12-16 – Suportando e perdoando nossos irmãos, uma vez que fomos chamados em UM CORPO. Convém destacar a importância da “abundância da palavra de Cristo” em nós, para que estejamos firmes nesse propósito.
- Tiago 3.6-18 – Embora Tiago culpe a língua de tão grandes males, devemos lembrar que isso é apenas uma figura de linguagem. Na verdade “da abundância do coração fala a boca” (Luc. 6.45). Se não buscarmos sabedoria na Palavra de Cristo, Satanás encherá nosso coração com a “sua sabedoria” (v. 15) que é diabólica. Notemos que a sabedoria de Deus é “pacífica, moderada, tratável, misericordiosa, sem parcialidade e sem hipocrisia”. Onde não há comunhão, não existe PAZ; onde não há um espírito manso, não existe MODERAÇÃO; onde não há respeito pelo próximo, não existe TRATABILIDADE; onde não há disposição ao perdão, não existe MISERICÓRDIA; e onde se oculta mágoas, reina a HIPOCRISIA. De fato, essas não podem ser vistas como atitudes dignas de um filho de Deus!
- Não despreze a astúcia do diabo – Ele não só tem habilidade em provocar contendas entre irmãos, mas também tenta convencer-nos de que não devemos dar importância a isso, ou que “não estamos chateados” com aquele irmão. Por trás disso, ele tem a intenção de evitar que tratemos e resolvamos o caso da ofensa, e assim ela se transforme em mágoa e rancor enraizados. Por que isso? A Palavra de Deus nos diz em Provérbios 18.19: “O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio”. Ele sabe que ofensas e contendas guardadas acabam se constituindo em verdadeiras muralhas de resistência, que se consolidam ainda mais com o passar do tempo.
Para saúde espiritual nossa e de nossas igrejas, convém examinarmos periodicamente nossos corações, a fim de avaliar como estamos em relação a isso.
2- TRATANDO O PROBLEMA:
Após verificarmos os cuidados para evitar ou detectar possíveis problemas de relacionamento mantidos em nossas vidas, vamos observar algumas coisas contidas na infinita sabedoria de nosso Senhor, para que possamos sanear nosso coração. O texto não pode ser outro, se não Mateus 18.15-18. Leia, primeiramente, o texto e depois pondere sobre os pontos que salientamos abaixo.
a) OBEDEÇA A JESUS – Se Ele é de fato nosso Senhor, devemos ouvi-Lo em tudo. Não faça como “você acha melhor”. Faça como ELE ENSINOU. Siga cuidadosamente cada passo do que Jesus disse na passagem em questão.
- Satanás também procura nos convencer de que obedecer a instrução de Deus “não vai dar certo”. Quantas vezes ouvi isso em ocasiões de aconselhamento a irmãos magoados ou ofendidos. Lembre-se que nos fazer duvidar de Deus é arma antiga do inimigo! Não foi exatamente essa a estratégia aplicada no Éden?
b) FAÇA ISSO O QUANTO ANTES – Precisamos entender o ensino de Jesus, pois é uma ordem e deve ser obedecida com urgência. No caso, a questão se deve ao fato de que, como todo mal, também deve ser retirado o mais cedo possível da nossa vida. Adiar ou não tratar um problema de ofensa é dar oportunidade para Satanás fazer uso da ocasião e querer trazer nossa adoração a Deus com o coração carregado de pecado.
- Efésios 4.23-27 fala sobre a necessidade daqueles que são novas criaturas de não darem ocasião para o diabo trabalhar em sua vida.
- Mateus 5.23-24 mostra-nos a necessidade urgente da reconciliação, antes que prestemos nosso culto e louvor a Deus. Não importa se é o irmão que tem algo contra nós ou vice-versa. A condição é a mesma, onde sabemos que existe algo que será impedimento para uma verdadeira e agradável adoração a Deus.
c) NÃO SEJA UM FARISEU – Obedeça à ordem de Cristo, não com hipocrisia, mecanicamente ou por pura obrigação, mas do modo bíblico e em espírito verdadeiramente cristão. Ou seja: debaixo de oração, em amor e com confiança na Palavra do Senhor.
d) SEJA HUMILDE – Se não estiver pronto a ser humilde, não haverá “conversa”, mas só repreensão e CONDENAÇÃO do suposto ofensor. Lembre que a humildade é um fruto do Espírito, muito exaltado por Deus e, no caso, extremamente necessário. Pense sempre que, em muitas ocasiões, o ofendido (você) também está errado em algumas ou em todas as coisas.
e) SEJA BRANDO NO FALAR – Mesmo que esteja “coberto de razão”, seja brando no falar e cuidadoso com as palavras, a fim de não suscitar a ira. Uma boa argumentação, feita em palavras doces, pode desarmar um ferrenho opositor. Já a mesma boa argumentação com palavras ofensivas colocará um irmão na defensiva e, mesmo que ele saiba que você tem razão, será levado pelos instintos da carne a não ceder. “A resposta (palavra) branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15.1).
- Lembre que o objetivo determinado por Jesus é “ganhar O teu irmão” e não “ganhar DO teu irmão”. Quanto mais plenos de razão estivermos, mais motivos temos para ser mansos, amáveis e cuidadosos no falar.
f) BUSQUE A PAZ! (I Pedro 3.11 – Salmo 34.14) - Não permita que a conversa degenere para discussão (briga). Caso as coisas tomem esse rumo, seja sábio para interromper a conversa e buscar a oração e recuperação do espírito correto para tratar a questão. Caso verifique que não há mais possibilidade de seguir com a conversa nesse estágio, leve o caso ao próximo passo estabelecido por Jesus.
g) PERSEVERE ATÉ O FIM – Siga os passos do ensino de Jesus até o fim. Não pule etapas nem deixe a tarefa pela metade, dizendo que não deu certo ou que “não tem jeito”. Ponha a mão no arado e não olhe para os lados ou para trás, nessa questão também.
- Se você prestar atenção ao ensino de Jesus nessa passagem, poderá observar que, sendo cumprida corretamente cada etapa do processo, de um jeito ou de outro, o resultado virá. SEMPRE DARÁ CERTO! Cumprindo o ensino, na maior parte das vezes, o resultado virá antes mesmo de cumpridas todas as etapas. Ou teremos a recuperação do irmão e a solução do problema, ou, em último caso, a igreja tratará o problema, e aquele ou aqueles que não se sujeitarem a Deus e não tiverem verdadeiro espírito cristão acabarão sendo disciplinados.
CONCLUSÃO: Pelas inúmeras referências relativas ao assunto do amor, comunhão e convivência entre irmãos, contidas nas Escrituras, fica bem clara a sua importância. Fica claro o grande mal que a presença de tais pecados no meio dos filhos de Deus representa. Nessas circunstâncias, podemos conhecer em nós mesmos, de maneira bem nítida, a presença dos frutos da carne e os do espírito. Quais deles estamos cultivando em nossas vidas e igrejas?

Pr. Waldir Ferro
IGREJA BATISTA BETEL INDEPENDENTE

(Estudo ministrado na Igreja Batista Boas Novas em Ourinhos-SP, na manhã de 13/11/2011).

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