quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

EVANGÉLICOS SEM IGREJA



O crescimento numérico da igreja evangélica tem impressionado a todos. Entretanto, pesquisadores revelam que o grupo que mais tem crescido nos últimos anos é o dos “crentes sem igreja” – pessoas convertidas, mas que, decepcionadas com os rumos da pregação e da instituição, optaram por uma caminhada pessoal, vivida na intimidade, ou então pela formação de pequenos grupos nos lares, reeditando o cristianismo do primeiro século
Após tanto crescimento – e alguns escândalos –, a igreja evangélica estará diante de uma crise? Ou estará passando por uma nova Reforma? O fato é que muitos andam descontentes com o que vêem e questionam o modelo de igreja refletido na mídia. Se este desapontamento não pode mais ser ocultado, cabe a pergunta: de que igreja os cristãos sentem falta?
Muitas pessoas estão a procura da igreja perfeita, mas concluem que todas têm seus pontos fortes e pontos fracos: “Nas igrejas históricas, o estudo da Bíblia é minucioso, porém não desperta a sua fé. Aí, a gente vai para uma neopentecostal, fortalece a fé, aprende sobre batalha espiritual, enfrenta seus problemas com a Palavra, mas logo vem a pressão mercantilista e a gente percebe que nosso papel ali é o de sustentar um ministério caro”. Muitos sonham também  com uma igreja mais humana, onde as pessoas encontrem espaço para dividir suas fraquezas, sem medo de ficarem estigmatizadas. Sonham com igrejas que não abram somente no horário do culto, “onde se possa encontrar aconchego e silêncio para meditação”. Lamentam  também o distanciamento de alguns pastores que “ficaram muito ocupados para cuidar de pessoas”.
Por que as pessoas trocam de igreja
Uma pesquisa organizada pelo instituto LifeWay Research, nos Estados Unidos, feita no final de 2006, mostrou as principais causas que levam uma pessoa a mudar de igreja. De um modo geral, 58% afirmaram que foram motivados a sair de suas antigas congregações e 42% disseram que a motivação estaria nas novas igrejas. Entre as dez principais causas de desagrado das congregações anteriores estão, em ordem:
1. ‘’A igreja não estava me ajudando a crescer espiritualmente’’ (28%) 
2. ‘’Não me sentia engajado ou envolvido em tarefas significativas’’ (20%)
3. ‘’Os membros da igreja julgavam os irmãos’’ (18%)
4. ‘’O pastor não era um bom pregador’’ (16%)
5. ‘’Houve muitas mudanças’’ (16%)
6. ‘’Os membros da igreja eram hipócritas’’ (15%)
7. ‘’Deus não parecia estar atuando na igreja’’ (14%)
8. ‘’A liderança não encorajava o envolvimento’’ (14%)
9. ‘’O pastor julgava os outros’’ (14%)
10. ‘’O pastor parecia hipócrita’’ (13%)

Obs.: A soma não totaliza 100% pois algumas pessoas deram mais de uma justificativa para sua insatisfação.
VISÃO MERCADOLÓGICA
Na raiz da insatisfação, dois aspectos parecem sobressair quando o assunto é a pureza da mensagem bíblica, a chamada sã doutrina: o legalismo (excesso de leis e regras) e a ênfase nos bens materiais, que se convencionou chamar de “prosperidade”. Se o legalismo assusta e contribui para afastar pessoas da igreja, a ênfase na prosperidade é uma faca de dois gumes.
A igreja se tornou um negócio, pastores se tornaram executivos, o ministério um gerenciamento”, tememos que esteja em curso um processo de “rendição a Mamom”, no qual a eficiência passa a ser medida não mais pela santidade e influência profética, mas pelas leis do mercado como a produtividade, performance, faturamento, profissionalismo, qualidade, nichos de consumidores e estratégias de marketing.  “Passamos a apresentar um Jesus Cristo atraente, prometemos a salvação no céu e a prosperidade na terra, sem precisar renunciar a nada. Palavras como sacrifício, pecado, arrependimento, negar-se a si mesmo, foram substituídas por decretar, determinar, conquistar, restituir, saquear”. A onda de inquietação do mundo está conseguindo penetrar no coração de muitos cristãos pela falta de uma blindagem maior contra a depressão e o medo. “Estamos sentindo mais falta de paz do que de prosperidade e poder”. Sonhamos com um cristianismo que acolha o viciado, o mendigo, a prostituta e todos os pobres e doentes da terra, como Jesus fazia. “O mundo está querendo ver expressões de amor, pois não sabe mais o que é isso. Está na hora de os discípulos de Cristo mostrarem ao mundo que Deus é amor antes de qualquer coisa”. 
PESQUISA MOSTRA A FORÇA DOS PEQUENOS GRUPOS
O cristianismo nasceu nas casas, como igreja doméstica, e foi desta maneira que impactou o mundo e chegou até Roma, tornando-se, por fim, uma religião. Em livro lançado nos EUA, sem previsão para o Brasil, o Dr. Carl Hurton analisa os resultados de sua pesquisa de doutorado em crescimento de igrejas, feita com líderes cristãos. Ficou constatado que as igrejas que ainda usam o sistema “tradicional” têm crescimento pequeno em relação às igrejas com células e aos grupos caseiros e familiares. De acordo com Hurton, “os pequenos grupos nos lares estão conquistando o mundo”.
O pesquisador demonstra que existe muita base bíblica para este modelo. “A Bíblia nos diz que a Igreja Primitiva congregava em reuniões grandes e nos lares (At 2.46, Rm 16.5). Esta prática foi sendo sufocada, mas da década de 1980 para cá temos visto um renovado interesse mundial pela igreja caseira”, ele afirma.
A primeira que alcançou repercussão foi a de Yoido, na Coréia do Sul, pastoreada por Paul Yonggi Cho. Esta igreja, de pequeno grupo, virou a maior igreja do mundo (800 mil membros), o que parece uma contradição. O método de células e ministérios descentralizados, no entanto, foi mantido, e a igreja de Cho se reúne inteira apenas um dia na semana em diversos cultos.
Acreditamos que o retorno dos pequenos grupos e igrejas nos lares está contribuindo para a expansão do cristianismo, mas que cada líder deve buscar o próprio método com a ajuda do Espírito Santo. Os pequenos grupos não são apenas “uma onda”, mas uma alternativa viável para os impasses do crescimento na igreja evangélica. 
 “O calor humano, o amor e a consolação funcionam bem melhor num pequeno grupo. A presença excessiva da “politicagem” e do dinheiro no dia-a-dia das grandes denominações. “Dinheiro é necessário, mas ele também corrompe o homem. Quando tudo é decidido em comunidade, o dinheiro é usado de forma menos mercenária.  Reconhecemos  que o  cuidado pastoral é indispensável para que as pessoas se sintam amadas. “A ovelha tem que estar protegida dessas doenças que estão inundando as famílias”. “Quanto do  tempo os pastores estão investindo na ovelha? Ou só investem  na estrutura e na burocracia?” Mas há pastores que não querem fazer isso para não parecerem fracos”.“Deus os chamou para serem executivos ou para serem pastores?”  A razão de ser da Igreja é a obra missionária e, por isso, seu olhar deve estar voltado para atender os que estão de fora. E quando uma igreja está envolvida em projetos de acolhimento e de evangelização, as chances de aparecerem problemas diminuem muito.
Quanto à inquietação dos que estão trocando as igrejas pelos pequenos grupos ou ficando em casa, entendemos que o cristão escolha o tipo de igreja que lhe convém, mas lembra que “toda igreja saudável vai crescer um dia e, conseqüentemente, vai passar a ter mais problemas, e o evangélico insatisfeito vai ter que ficar mudando sempre de uma para outra”  Sobre o desejo de que a igreja evangélica seja um lugar de reflexão e meditação, poderíamos, sim, ter menos barulho, menos agitação. É uma coisa histórica a igreja ser vista como lugar de reflexão, mas estamos no século 21, que é um século barulhento. Então, é uma questão cultural estarmos com decibéis muito elevados”. Existem igrejas com liturgia mais silenciosa e que a pessoa deve adaptar sua natureza ao tipo de culto que mais lhe agrada. São muitos escândalos envolvendo dinheiro e pessoas enxergando a igreja como fonte de enriquecimento. Mas também não resolve ficar dentro de casa ou ir para um grupo pequeno porque isso não é igreja”, lembrando que grupos não podem fazer certas ações da igreja, como batismo, celebração da ceia. A igreja atual praticamente serve ao cliente. A idéia é que a pessoa chegue não para contribuir ou para servir ao Senhor, mas para ser servida. O crente de hoje quer uma igreja self-service, que sirva a ele. Ele não quer uma igreja para participar, lutar, desenvolver dons e talentos para crescimento do corpo. Esta visão utilitária tem prejudicado bastante.
Não podemos esperar encontrar  uma igreja “ideal”. As fragilidades e limitações pessoais de cada crente são determinantes para a composição do Corpo de Cristo. “Estamos sentindo que tem poucas igrejas missionárias e intercessoras, de uma igreja que não só se alegre com os que se alegram, mas que sofra com os que sofrem”. Como outra preocupação,  é sobre o tema da ética.  Faltam também igrejas empenhadas em formar o caráter de seus membros, ensinando a prática da ética cristã genuína.
As igrejas precisam ser mais participativas na sociedade por que tanta violência, se nas grandes cidades tem tantos crentes? Por que a sociedade não é transformada?” O diagnóstico é que a igreja brasileira está acomodada, omissa, pouco misericordiosa e preocupada apenas com seus problemas.  uma maior presença dos evangélicos no asfalto, nas comunidades faveladas e da solidariedade das igrejas locais com os deficientes: “Quantas igrejas têm rampas? Quantas têm tradução do sermão para a linguagem de sinais? E campanhas para adquirir cadeiras de rodas, quantas fazem? “Mas qualquer campanha que traz benefício próprio atrai multidões”.
A Igreja de Cristo deve intervir onde puder, inclusive na questão do aquecimento global: “Como evangélicos, devemos fazer a nossa parte em tudo, primeiro com intercessão e, depois, com uma ação integrada e transformadora. Mas se nas reuniões de oração das igrejas só aparecem cinco por cento dos membros, como sair do lugar?”.
Por maiores que sejam as fraquezas e os defeitos que se possam encontrar, “a Igreja ainda é a noiva do Senhor e caminha ao encontro do Noivo buscando se aperfeiçoar sobre o tripé santificação, comunhão e missão”. A carta aos Efésios diz: “Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela para a santificar. Assim como Ele amou, nós também devemos amar a nossa igreja e nos santificarmos para que ela possa ser melhor a cada dia”. SANTIFICAÇÃO É A CHAVE DE TUDO.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sou evangélico, qual o problema em pular carnaval?


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Alguns crentes em Jesus não vêem nenhum problema no Carnaval. Para eles, se não tiver azaração, pegação, bebidas e drogas, não existe nenhum mal desfrutar da festa de Momo, mesmo porque o que importa é a diversão. Segundo estes, o desfile na televisão é tão bonito! E outra coisa: Que mal tem se alegrar ao som dos sambas enredos do Rio de Janeiro? Pois é, o que talvez estes crentes IGNOREM é a história, o significado e a mensagem do carnaval.Ao estudarmos a origem do Carnaval, vemos que ele foi uma festa instituída para que as pessoas pudessem se regalar com comidas e orgias antes que chegasse o momento de consagração e jejum que precede a Páscoa, a Quaresma. Veja o que a The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997 nos diz a respeito: “O Carnaval é uma celebração que combina desfiles, enfeites, festas folclóricas e comilança que é comumente mantido nos países católicos durante a semana que precede a Quaresma.
Carnaval, provavelmente vem da palavra latina “carnelevarium” (Eliminação da carne), tipicamente começa cedo no ano novo, geralmente no Epifânio, 6 de Janeiro, e termina em Fevereiro com a Mardi Gras na terça-feira da penitência (Shrove Tuesday).” (The Grolier Multimedia Encyclopedia).
“Provavelmente originário dos “Ritos da Fertilidade da Primavera Pagã”, o primeiro carnaval que se tem origem foi na Festa de Osiris no Egito, o evento que marca o recuo das águas do Nilo. Os Carnavais alcançaram o pico de distúrbio, desordem, excesso, orgia e desperdício, junto com a Bacchanalia Romana e a Saturnalia.
A Enciclopédia Grolier exemplifica muito bem o que é, na verdade, o carnaval. Uma festa pagã que os católicos tentaram mascarar para parecer com uma festa cristã. Os romanos adoravam comemorar com orgias, bebedices e glutonaria. A Bacchalia era a festa em homenagem a Baco, deus do vinho e da orgia, na Grécia, havia um deus muitíssimo semelhante a Baco, seu nome era Dionísio, da Mitologia Grega Dionísio era o deus do vinho e das orgias. Veja o que The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997 diz a respeito da Bacchanalia, ou Bacanal, Baco e Dionísio e sobre o Festival Dionisiano:
“O Bacanal ou Bacchanalia era o Festival romano que celebrava os três dias de cada ano em honra a Baco, deusdo vinho. Bebedices e orgias sexuais e outros excessos caracterizavam essa comemoração, o que ocasionou sua proibição em 186dC.” (The Grolier Multimedia Encyclopedia)
Pois é, no Brasil o carnaval possui a conotação da transgressão. Disfarçado de alegria, a festa de Momo promove promiscuidade sexual, prostituição infantil, violência urbana, consumo de drogas, além de contribuir para a descontrução de valores primordiais ao bem estar da família.
Isto posto tenho plena convicção de que não vale a pena enredar-se as oferendas do Carnaval. Como crentes em Jesus, devemos nos afastar de toda aparência do mal. Participar da festa de Momo significa se deixar levar por valores anti-cristãos e imorais permitindo assim que o adversário de nossas almas semeie em nossos corações conceitos absolutamente antagônicos aos ensinos deixados por Jesus.
http://www.cacp.org.br/sou-evangelico-qual-o-problema-em-pular-carnaval/

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

RELACIONAMENTO ENTRE IRMÃOS

TEXTO BASE: Salmo 133.1

RELACIONAMENTO ENTRE IRMÃOS
Quão bom e suave é que os irmãos vivam em união! – Salmo 133.1
Frequentemente, constatamos que Satanás procura minar a vida de crentes e da própria igreja, afetando a área dos relacionamentos pessoais entre irmãos. Isso tem causado muitos males no meio do povo de Deus e ao seu progresso, uma vez que tais problemas prejudicam o nosso crescimento espiritual e serviço a Deus. O que torna ainda mais grave a questão é que muitos males acabam por vir sobre toda a igreja. Crentes que, com suas vidas espirituais enfraquecidas, carregando mágoas, rancores, pecados não confessados e, muitas vezes, nem mesmo reconhecidos, acabam por prejudicar todo o trabalho de suas igrejas. Nem percebem, talvez, que em razão dessas coisas, eles mesmos não crescem e não glorificam a Deus no trabalho que fazem.
Por sua vez, suas igrejas, como um corpo em Cristo que são (ou deveriam ser), sofrem, ao ver quebrada e abandonada sua unidade interna, como se isso não fosse coisa importante e necessária aos olhos de Deus (Salmo 133.1). Por vezes, a maior parte da igreja nem se dá conta do problema até que ele cresça e, por alguma razão, venha à tona.
Sentimentos motivados por problemas não resolvidos de relacionamento entre irmãos, invariavelmente, geram atitudes carnais. Assim, passam a gerar facções, boicotes, disputas e coisas semelhantes, na igreja, ou mesmo entre igrejas. Deixam de fazer certos trabalhos ou de participar deles, em função de sentimentos negativos por algum irmão. Deixam de participar de certas áreas, na vida da igreja, onde aquela pessoa, com quem se tem problemas, está envolvida e, principalmente, quando esta lidera aquela atividade. Surge um espírito crítico e negativista, o que acaba, muitas vezes, contagiando a outros. Outras vezes, ainda, o trabalho acaba sendo feito de forma carnal e motivada por disputa, tentando superar o seu “irmão inimigo”.
Dessa forma, deparamo-nos com as mais diferentes situações: membros de uma mesma igreja que não gostam de outros e, às vezes, nem falam com eles; outros, carregando mágoas de tempos antigos e nunca tratados, agindo falsamente como se nada houvesse, revelando, porém, seus sentimentos negativos em alguma ocasião “oportuna”; lares, que supostamente servem a Deus, onde não existe harmonia ou comunhão, etc. Fato curioso é que, apesar disso tudo, é comum a atitude de alegar que “não se tem raiva” daquela pessoa, procurando justificar-se apenas com uma desculpa de que prefere manter alguma distância ou que não é obrigado a “andar grudado na outra pessoa”.
Observando o quanto isso nos é prejudicial, somos levados a crer que é necessário termos firme em nossos corações, o propósito de buscar e observar o cuidado de Deus a esse respeito. Esperamos que esse estudo seja útil a muitos, não só com a finalidade de chamar a atenção para o problema, mas principalmente para nos ajudar a encontrar direção na solução de problemas a esse respeito e forças para agirmos contra esse mal.
1- ALGUNS CUIDADOS PRELIMINARES.
Antes de estudarmos sobre como resolver biblicamente problemas de relacionamento, precisamos ver alguns cuidados a se tomar, em nossa vida espiritual, a fim de evitar tais situações.
- Evite ofender - Em primeiro lugar, devemos evitar, com todas as nossas forças, ofender ao nosso irmão. Nem sempre é fácil fazer isso, mas devemos nos esforçar e dedicar por ser mansos em palavras e atitudes a fim de evitar contendas. Romanos 12.18 ensina-nos que devemos nos esforçar para ter paz com todos os homens. Certamente, isso deve aplicar-se também a nossos irmãos. Esse esforço nos mostra que devemos ter atitudes que levem a isso. Se, deliberadamente, formos agressivos, ofensivos ou provocativos com um irmão, não estaremos cumprindo o ensino da Palavra de Deus e, portanto, estaremos em pecado.
- Evite ofender-se - Da mesma maneira, devemos evitar o “dar-se por ofendido”. Especialmente por motivos banais. Conheço o caso de duas senhoras que faziam parte da mesma igreja, há muitos anos. Um dia, descobriu-se que havia uma mágoa entre elas que remontava a tempos em que tinham seus filhos pequenos, ainda. A causa dessa antiga mágoa: as filhas de uma delas, brincando, pisaram o jardim da outra e estragaram algumas plantas que havia lá. A dona do jardim se indignou e se ofendeu por isso, julgando talvez algum descaso da outra, e acabaram tendo certa discussão a respeito. Elas nunca conversaram de modo a esclarecer o assunto, e também não houve uma reconciliação. Como é de costume entre as pessoas, elas “deixaram para lá” e não tocaram mais no assunto. Os filhos cresceram e, possivelmente, as plantas pisadas também, mas o lado ruim foi que essa mágoa ficou e também cresceu com o tempo, de modo que sempre foi um impedimento à comunhão entre elas. É claro que isso tudo poderia ter sido evitado ou consertado rapidamente. Nós bem sabemos que é quase inevitável que venhamos a nos ofender vez ou outra por alguma bobagem. Porém, quando isso ocorre, devemos tratar a questão correta e urgentemente.
Um cuidado adicional a se tomar é observar que, quando situações como estas, onde nos ofendemos ou ofendemos a outros, começam a ocorrer com certa frequência, isso pode estar denunciando que algo em nossa vida espiritual não vai bem. Satanás está encontrando espaços para trabalhar em nós e por nós no meio da igreja. Esse deve ser um sinal de alerta assustador para todo verdadeiro Cristão. Sabemos que o que estamos dizendo parece pesado, mas se formos sinceros, vamos considerar que, de fato, isso é tão real e assustador à nossa alma, que talvez seja justamente esse o motivo que nos leva a querer negar que isso possa estar acontecendo conosco.
Em Levítico 19.16-18, a Lei ordenava que o povo de Deus não deveria carregar, em seu coração, algum ódio contra seu irmão, mas também não deveria deixar de repreendê-lo quando fosse ofendido por ele. É exatamente sobre esse ponto da Lei que Jesus discorreu, ao ensinar seus discípulos sobre como tratar questões de ofensas pessoais em Sua igreja. Isto será nosso assunto adiante, mas o que é importante ressaltar aqui é que existe uma ORDEM de Deus para não negarmos, de modo algum, o fato de uma ofensa, carregando sentimento negativo contra nosso irmão, seja ele quem for, guardado em nosso íntimo.
Visando esses cuidados, vejamos algumas exortações a respeito:
- Efésios 4.1-3 – Aqui, Paulo nos exorta a andar conforme nossa chamada, com frutos espirituais como humildade, mansidão e longanimidade, a fim de guardar uma unidade espiritual, através do Amor, e preservar a paz, no meio do povo de Deus. Nós devemos saber qual é a chamada do nosso Deus. Ele não nos chamou em intrigas e para a intriga e o conflito, mas em Amor e para o exercício do amor verdadeiro e sacrificial. Chamou-nos para a paz. Os frutos do Espírito não concordam com um coração carregado de ódios, rancores e mágoas.
- Colossenses 3.12-16 – Suportando e perdoando nossos irmãos, uma vez que fomos chamados em UM CORPO. Convém destacar a importância da “abundância da palavra de Cristo” em nós, para que estejamos firmes nesse propósito.
- Tiago 3.6-18 – Embora Tiago culpe a língua de tão grandes males, devemos lembrar que isso é apenas uma figura de linguagem. Na verdade “da abundância do coração fala a boca” (Luc. 6.45). Se não buscarmos sabedoria na Palavra de Cristo, Satanás encherá nosso coração com a “sua sabedoria” (v. 15) que é diabólica. Notemos que a sabedoria de Deus é “pacífica, moderada, tratável, misericordiosa, sem parcialidade e sem hipocrisia”. Onde não há comunhão, não existe PAZ; onde não há um espírito manso, não existe MODERAÇÃO; onde não há respeito pelo próximo, não existe TRATABILIDADE; onde não há disposição ao perdão, não existe MISERICÓRDIA; e onde se oculta mágoas, reina a HIPOCRISIA. De fato, essas não podem ser vistas como atitudes dignas de um filho de Deus!
- Não despreze a astúcia do diabo – Ele não só tem habilidade em provocar contendas entre irmãos, mas também tenta convencer-nos de que não devemos dar importância a isso, ou que “não estamos chateados” com aquele irmão. Por trás disso, ele tem a intenção de evitar que tratemos e resolvamos o caso da ofensa, e assim ela se transforme em mágoa e rancor enraizados. Por que isso? A Palavra de Deus nos diz em Provérbios 18.19: “O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio”. Ele sabe que ofensas e contendas guardadas acabam se constituindo em verdadeiras muralhas de resistência, que se consolidam ainda mais com o passar do tempo.
Para saúde espiritual nossa e de nossas igrejas, convém examinarmos periodicamente nossos corações, a fim de avaliar como estamos em relação a isso.
2- TRATANDO O PROBLEMA:
Após verificarmos os cuidados para evitar ou detectar possíveis problemas de relacionamento mantidos em nossas vidas, vamos observar algumas coisas contidas na infinita sabedoria de nosso Senhor, para que possamos sanear nosso coração. O texto não pode ser outro, se não Mateus 18.15-18. Leia, primeiramente, o texto e depois pondere sobre os pontos que salientamos abaixo.
a) OBEDEÇA A JESUS – Se Ele é de fato nosso Senhor, devemos ouvi-Lo em tudo. Não faça como “você acha melhor”. Faça como ELE ENSINOU. Siga cuidadosamente cada passo do que Jesus disse na passagem em questão.
- Satanás também procura nos convencer de que obedecer a instrução de Deus “não vai dar certo”. Quantas vezes ouvi isso em ocasiões de aconselhamento a irmãos magoados ou ofendidos. Lembre-se que nos fazer duvidar de Deus é arma antiga do inimigo! Não foi exatamente essa a estratégia aplicada no Éden?
b) FAÇA ISSO O QUANTO ANTES – Precisamos entender o ensino de Jesus, pois é uma ordem e deve ser obedecida com urgência. No caso, a questão se deve ao fato de que, como todo mal, também deve ser retirado o mais cedo possível da nossa vida. Adiar ou não tratar um problema de ofensa é dar oportunidade para Satanás fazer uso da ocasião e querer trazer nossa adoração a Deus com o coração carregado de pecado.
- Efésios 4.23-27 fala sobre a necessidade daqueles que são novas criaturas de não darem ocasião para o diabo trabalhar em sua vida.
- Mateus 5.23-24 mostra-nos a necessidade urgente da reconciliação, antes que prestemos nosso culto e louvor a Deus. Não importa se é o irmão que tem algo contra nós ou vice-versa. A condição é a mesma, onde sabemos que existe algo que será impedimento para uma verdadeira e agradável adoração a Deus.
c) NÃO SEJA UM FARISEU – Obedeça à ordem de Cristo, não com hipocrisia, mecanicamente ou por pura obrigação, mas do modo bíblico e em espírito verdadeiramente cristão. Ou seja: debaixo de oração, em amor e com confiança na Palavra do Senhor.
d) SEJA HUMILDE – Se não estiver pronto a ser humilde, não haverá “conversa”, mas só repreensão e CONDENAÇÃO do suposto ofensor. Lembre que a humildade é um fruto do Espírito, muito exaltado por Deus e, no caso, extremamente necessário. Pense sempre que, em muitas ocasiões, o ofendido (você) também está errado em algumas ou em todas as coisas.
e) SEJA BRANDO NO FALAR – Mesmo que esteja “coberto de razão”, seja brando no falar e cuidadoso com as palavras, a fim de não suscitar a ira. Uma boa argumentação, feita em palavras doces, pode desarmar um ferrenho opositor. Já a mesma boa argumentação com palavras ofensivas colocará um irmão na defensiva e, mesmo que ele saiba que você tem razão, será levado pelos instintos da carne a não ceder. “A resposta (palavra) branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15.1).
- Lembre que o objetivo determinado por Jesus é “ganhar O teu irmão” e não “ganhar DO teu irmão”. Quanto mais plenos de razão estivermos, mais motivos temos para ser mansos, amáveis e cuidadosos no falar.
f) BUSQUE A PAZ! (I Pedro 3.11 – Salmo 34.14) - Não permita que a conversa degenere para discussão (briga). Caso as coisas tomem esse rumo, seja sábio para interromper a conversa e buscar a oração e recuperação do espírito correto para tratar a questão. Caso verifique que não há mais possibilidade de seguir com a conversa nesse estágio, leve o caso ao próximo passo estabelecido por Jesus.
g) PERSEVERE ATÉ O FIM – Siga os passos do ensino de Jesus até o fim. Não pule etapas nem deixe a tarefa pela metade, dizendo que não deu certo ou que “não tem jeito”. Ponha a mão no arado e não olhe para os lados ou para trás, nessa questão também.
- Se você prestar atenção ao ensino de Jesus nessa passagem, poderá observar que, sendo cumprida corretamente cada etapa do processo, de um jeito ou de outro, o resultado virá. SEMPRE DARÁ CERTO! Cumprindo o ensino, na maior parte das vezes, o resultado virá antes mesmo de cumpridas todas as etapas. Ou teremos a recuperação do irmão e a solução do problema, ou, em último caso, a igreja tratará o problema, e aquele ou aqueles que não se sujeitarem a Deus e não tiverem verdadeiro espírito cristão acabarão sendo disciplinados.
CONCLUSÃO: Pelas inúmeras referências relativas ao assunto do amor, comunhão e convivência entre irmãos, contidas nas Escrituras, fica bem clara a sua importância. Fica claro o grande mal que a presença de tais pecados no meio dos filhos de Deus representa. Nessas circunstâncias, podemos conhecer em nós mesmos, de maneira bem nítida, a presença dos frutos da carne e os do espírito. Quais deles estamos cultivando em nossas vidas e igrejas?

Pr. Waldir Ferro
IGREJA BATISTA BETEL INDEPENDENTE

(Estudo ministrado na Igreja Batista Boas Novas em Ourinhos-SP, na manhã de 13/11/2011).

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